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Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro

Escrever sobre igrejas parece muito fácil e na teoria seria apenas descrever aquilo que a gente está vendo na foto e, ou vídeo, mas na realidade é muito mais. Quando tratamos de um lugar santo, o qual chamamos casa de Deus, Igreja, vai muito além dos muros de tijolo, do estilo arquitetônico, da matéria em si, pois igreja, que vem do grego “εκλέσια” Eclésia, não se trata apenas do templo físico, mas do templo espiritual.


Portanto, quando vamos visitar uma igreja, mais precisamente uma igreja cristã Católica, temos que ver além das paredes, mas ver aquela comunidade, as pessoas que ali participam e que ajudaram a construir o templo, pois assim poderemos entender um pouco do templo físico, o porquê de tal estilo, entender os detalhes, a forma com a qual foi construída, sua história e tudo o que nela tem e simbolizam.

Sendo assim, como não podemos julgar um livro pela capa, o mesmo, devemos fazer com a igreja, apenas pensar se agrada não o meu gosto, mas pensar e tentar entender tudo o que ela pode simbolizar para aquela comunidade local.

Com isso vamos abrir o “Livro” da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro e saber um pouco mais sobre ela, mas já adianto, se quiseres conhecer de fato uma igreja, o melhor é visitando -a pessoalmente. Sabemos que nem todos podem viajar o mundo e visitar todas as belíssimas igrejas, por isso aqui tentaremos mostrar um pouco da história e o que cada igreja representa para comunidade onde foi construída.


Antes de falar da Catedral atual, precisamos entender o contexto histórico até os dias de hoje. Em 1676, o Papa Inocêncio XI criou a Diocese do Rio de Janeiro, que virou Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, anos mais tarde, mas a diocese ainda não possuía uma Catedral. A primeira sede da igreja do Rio foi uma pequena capela de adobes, construída no morro do Castelo, morro esse que foi desmontado para servir de aterro onde hoje temos conhecido como Aterro do Flamengo. Com isso a capela foi também demolida. Mas antes disso, a catedral havia passado sua sede para igreja de Santa Cruz dos Militares, não por muito tempo, apenas 3 anos, e depois sua sede passou a ser na igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos homens pretos.

Com a chegada da família Real Portuguesa ao Brasil, a diocese passou a ter sua sede, catedral, na igreja de Nossa Senhora do Carmo, na praça XV, ali o Rei D. João participava das celebrações, por ser perto de sua moradia no Paço Imperial. A antiga Sé como hoje é conhecida, deixou de ser a catedral do Rio de Janeiro, quando então foi construída a nova catedral que temos hoje. Muitos anos depois, a igreja conseguiu a doação de um terreno do estado da Guanabara, e em 1964, foi lançada a pedra fundamental da nova catedral por Dom Jaime de Barros Câmara, abençoada pelo então Papa Paulo VI. Em 15 de agosto de 1979, foi o marco da Inauguração da nova catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro tendo o bispo D. Eugenio de Araújo Sales.

Desde então a catedral sediou eventos muito importantes da igreja, dando destaque para a visita do Papa S. João Paulo II, que em 1980, celebrou no altar principal, junto com Bispos e padres, o II Encontro Mundial do Papa com as Famílias. E mais recente, a catedral recebeu também o Papa Francisco, que celebrou a missa na catedral do Rio, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude em 2013.



Depois de saber um pouco mais sobre a história, podemos entrar nas partes mais técnicas quando ao templo físico. Ela se destaca na paisagem por ser uma construção moderna e diferente das catedrais mundo afora como conhecemos. Seu formato é muito simbólico, lembra a mitra usada pelos bispos, e simboliza a equidistância e proximidade das pessoas com Deus, que desce dos céus para vir ao encontro com o homem.


A catedral do Rio de Janeiro, foi desenhada pelo arquiteto Brasileiro Edgar de Oliveira Fonseca, a execução do projeto foi coordenada pelo Monsenhor Ivo Antônio Calliari, o interior foi projetado pelo padre Paulo Lachenmayer, e ainda conta com obras de diversos artistas e escultores como Humberto Cozzo. A catedral tem capacidade para 20 mil pessoas (sentadas e em pé), tem 106 metros de diâmetro e 75 de altura. Do topo da catedral, podemos ver uma cruz em vitral e dela descem 4 enormes vitrais pelas paredes até o chão. Também podemos notar aí um grande simbolismo, a cruz translucida, por ela passa a luz que ilumina o interior da catedral, essa Luz é Cristo, essa luz de dissipa para o interior através dos 4 vitrais, acolhendo todos os fiéis que vão ali em busca de Deus. Cada um desses vitrais tem cores e imagens diferentes, posicionados nos pontos cardeais, e que simbolizam as 4 características da igreja católica: Una – Santa – Católica – Apostólica.

O vitral verde, simboliza a característica “Una”, nele podemos ver a imagem de Jesus o Bom Pastor, e alguns objetos que lembram a unidade como a Bíblia, a mitra dos bispos, a tiara papal.

O vitral vermelho simboliza a característica “Santa”, e o Espírito Santo, podemos ver as imagens de São José, Nossa senhora e outros santos.



O Vitral azul, simboliza a característica “Católica”, que significa a universalidade da igreja, onde todas as pessoas de todas as raças são chamadas para fazerem parte dela, podemos notar os símbolos também dos 4 evangelistas leão, São Marcos; o touro, São Lucas; o jovem, São Mateus e a águia, São João.

O Vitral amarelo simboliza a característica “Apostólica”, nela podemos ver São Pedro com as chaves, e mostra a herança da igreja Instituída pelo próprio Cristo e que vem em sucessão pelos apóstolos, também podemos ver no vitral lembranças da paixão de Cristo.



Além dos vitrais, tem as imagens em quadros, que mostram a história das missões no Brasil, as primeiras missas, via sacra, as imagens de São Sebastião, São Francisco de Assis, os relevos em cobre nos pórticos e podemos destacar a Cruz Latina, que pende desde o teto, nela estão também Maria e o apostolo João.


No lado externo da catedral cabe destacar o campanário, feito em mesmo estilo com concreto aparente, inaugurado em 1985 dedicado a comemoração de 5 anos da visita do papa João Paulo II, também outra homenagem ao Santo Papa, podemos ver em bronze a imagem de São João Paulo II. E uma imagem de Santa Madre Tereza de Calcutá.



No subsolo da catedral ainda podemos ver a sua cripta, embaixo do altar mor, o ossuário, onde repousa antigos bispos e padres, além de fiéis, e o museu de arte sacra.



São muitos símbolos, que poderíamos ainda destacar, mas caberia melhor em um livro, ou em uma visita pessoal, que vale a pena ser realizada.


A catedral fica aberta todos os dias e pode ser visitada de 7h – 17h, tem diversos horários para santa missa, também pode se agendar outros sacramentos como Batismo e Casamento. Abaixo, deixaremos o link da catedral para maiores informações: https://catedral.com.br


Gostou? Deixei seu comentário, e sugestão! Quer fazer uma visita guiada à Catedral? Fale conosco!


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